Olhando para o mercado e para o que ando a fazer, há um ativo que me chamou a atenção recentemente. A história dele mudou por completo e, por isso, decidi analisar o fundo GOF (Guggenheim Strategic Opportunities Fund). Se me perguntassem há uns tempos, eu diria para estarem longe dele. No entanto, agora a situação é diferente e vou mostrar-vos o que se está a passar na minha carteira.
O Grande Problema do Prémio que Ficou Resolvido
Para perceberem o que mudou, preciso de explicar como funcionam estes fundos fechados. Eles têm duas realidades distintas. Primeiro, temos o NAV (Net Asset Value), que representa o valor real dos ativos que o fundo tem lá dentro. Segundo, temos o preço de mercado, ou seja, o valor a que as ações negoceiam na bolsa.
Há uns tempos, as ações do fundo GOF estavam a ser negociadas com um prémio de 32%. Isto significa que, se o fundo gerisse o equivalente a 10€ por ação em ativos, as pessoas pagavam quase 14€ para entrar. Portanto, era uma loucura puxada pelo pessoal que corria atrás dos dividendos mensais. Eu achei que esse risco era demasiado alto e, por consequência, decidi ficar de fora.
E o que aconteceu depois? O mercado funcionou como um íman. Por isso, o preço das ações acabou por cair cerca de 28% para se ajustar à realidade. Quem comprou naquela altura perdeu dinheiro, mesmo sabendo que os investimentos do fundo valorizaram. Todavia, agora a conversa é outra. As ações voltaram a negociar praticamente ao preço real dos ativos e aquele risco gigante desapareceu.

Como o Fundo GOF Move o Dinheiro no Mercado
Este é um fundo multi-ativos gerido de forma ativa. Ou seja, a equipa de gestão tem total liberdade para ir mudando os investimentos conforme o mercado se move. Além disso, eles tentam adaptar-se rapidamente ao cenário económico atual.
Neste momento, a carteira deles está dividida de forma clara:
- ~40% em Empréstimos Bancários: Financiamentos a empresas com taxas variáveis.
- ~30% em Crédito de Alto Rendimento: Obrigações que pagam juros mais altos devido ao maior risco de crédito.
- ~30% em Outros Ativos: Obrigações de empresas estáveis e ativos com garantias físicas.
Eles usam um bocadinho de alavancagem, cerca de 12%. Isto significa que pedem algum dinheiro emprestado para tentar render mais, mas nada de exagerado. Quando os juros estavam muito baixos, eles apostavam mais em ações. No entanto, agora que o cenário mudou, viraram-se para o crédito que paga taxas mais elevadas.
A Minha Visão Atual Sobre Esta Oportunidade
No longo prazo, o desempenho a gerir os ativos tem sido muito bom. O fundo tem andado muitas vezes taco a taco com o índice S&P 500, que representa as maiores empresas americanas. Podem consultar mais detalhes históricos diretamente no site oficial da Guggenheim Investments para verem os relatórios.
Como o preço das ações finalmente desceu para a terra, o valor bate certo com os ativos reais. Por consequência, o risco de queda por causa da avaliação excessiva desapareceu. Para quem procura um ativo focado em rendimento e com uma gestão flexível, este ponto de entrada parece-me interessante. Da minha parte, o fundo GOF passou de um veículo a evitar para algo que acompanho de perto. Podem ler também a minha análise anterior sobre estratégias de rendimento mensal para compararem a abordagem.
