Toda a gente parece andar maluca à procura da próxima grande ação de Inteligência Artificial que vai explodir no mercado, mas a verdade é que eu prefiro olhar exatamente para o lado oposto. Quando penso em onde investir dinheiro, o meu foco vai para coisas físicas, pesadas e reais, que a tecnologia não consegue copiar ou fazer desaparecer da noite para o dia.
É aqui que entra um conceito que descobri há pouco tempo e que bate certinho com a minha forma de pensar: o investimento HALO (uma sigla em inglês para Heavy Assets, Low Obsolescence, que significa basicamente Ativos Pesados e Baixa Obsolescência).
A ideia é muito simples. Em vez de investir em patentes ou programas que um concorrente pode clonar amanhã com um código melhor, eu prefiro focar-me em monopólios do mundo real. A IA pode escrever um livro ou criar um logótipo em segundos, mas não consegue construir uma autoestrada, um porto de mar ou duplicar os terrenos mais valiosos de uma cidade.
Como escolho os melhores investimentos em ativos reais?
Quando analiso este tipo de imobiliário ou infraestrutura para perceber se estou perante os melhores investimentos possíveis, tento focar-me em três regras muito simples:
- O custo para copiar é absurdo: Ninguém vai gastar biliões a tentar duplicar algo que já está feito e a funcionar.
- A localização é única: O espaço físico na terra é finito. Se alguém já tem o melhor terreno, o jogo acabou para a concorrência.
- Barreiras legais: Muitas vezes, as licenças para construir aquele tipo de negócio naquela zona específica simplesmente já não se emitem.
Basicamente, procuro negócios protegidos pela escassez. Se queres perceber melhor como avalio o peso destes ativos tangíveis na minha carteira, podes ler também o meu artigo sobre como analisar o risco em ativos reais.
Onde investir dinheiro: 4 áreas que estou a acompanhar
O artigo original que usei como base para esta análise falava de quase uma dezena de empresas, mas para a minha realidade e para o que me interessa acompanhar, destaquei quatro áreas que acho muito curiosas:
- As torres de telecomunicações (American Tower): Pensa nisto como a "portagem" do 5G. As operadoras de telemóveis precisam desesperadamente destas torres para que a rede funcione. Só que conseguir licenças hoje em dia é um pesadelo burocrático. Quem já as tem, tem um monopólio nas mãos. Olhando para os números históricos, o preço parece-me estar num ponto interessante.
- A logística do frio (Americold): Armazéns normais há muitos, mas os armazéns frigoríficos (para comida congelada ou frescos) são um bicho completamente diferente. Exigem uma tecnologia e uns custos de energia brutais para funcionar. É infraestrutura pura disfarçada de imobiliário. Como a segurança alimentar é um tema crítico, quem domina esta rede de frio tem uma vantagem gigante.

- Falta de espaço físico (Rexford Industrial): Esta empresa foca-se em armazéns industriais no sul da Califórnia. O grande trunfo deles é a escassez. Aquela zona está completamente cheia, não há mais terra para construir. Sempre que um contrato de arrendamento antigo acaba, eles conseguem subir a renda porque os inquilinos não têm mais para onde ir.
- O imobiliário de Las Vegas (VICI Properties): Eles são os donos dos edifícios e dos terrenos dos maiores casinos da mítica Las Vegas Strip. O meu raciocínio aqui é simples: mesmo que o operador do casino tenha problemas, a localização continua a ser uma das mais valiosas do mundo. Outra empresa qualquer vai querer ir para ali. O preço atual tem algum desconto devido ao risco de estarem muito dependentes de poucos clientes, mas acho o caso de estudo fascinante. Para quem segue de perto o mercado americano, o relatório oficial da Nareit (Associação Nacional de REITs) mostra bem o impacto destes ativos no longo prazo.
O imobiliário que deixo de fora da minha carteira
Havia outras empresas muito elogiadas no texto que li, como a Equinix (que é focada em centros de dados), mas na minha opinião, os preços atuais estão demasiado esticados para aquilo que procuro. Quando decido onde investir dinheiro, ter um bom ativo não chega; o preço a que se compra continua a ditar o sucesso do investimento.
No final do dia, esta é apenas a minha forma de ver as coisas. Enquanto o mercado continua obcecado com o último grito tecnológico, eu acho que há muito valor esquecido em ativos "antiquados", resilientes e que simplesmente não podem ser recriados por um algoritmo.
